Fotografia digital: Velocidade de car…

 

Fotografia digital: Velocidade de cartões de memória


Julio Preuss – 31/01/2007 – 11:01

Se você é dono de uma câmera digital compacta, ou mesmo de uma reflex amadora, já deve ter passado pela desagradável experiência de bater uma foto e tentar, sem sucesso, capturar uma outra imagem logo em seguida. Ou então, depois de registrar toda uma seqüência de fotos do filhão driblando os zagueiros adversários, a câmera engasgar justo na hora do gol e da comemoração.

Muitas vezes, este tipo de frustração é culpa da velocidade da câmera. Não a do obturador, que nos modelos com funções manuais é ajustada junto com a abertura, mas do modo de disparo contínuo. Quase toda digital moderna tem uma função, representada por três retângulos sobrepostos, para capturar várias fotos em seqüência quando mantemos o disparador pressionado. Algumas têm até mais de uma velocidade, sendo a mais alta geralmente identificada pela letra H (de high speed).

O problema é que, às vezes, mesmo com uma boa câmera devidamente configurada para o disparo rápido e o fotógrafo fazendo tudo direitinho (não tirando o dedo do “gatilho” entre uma foto e outra, por exemplo), o resultado deixa a desejar. Se a câmera demora muito entre uma foto e outra, pode ser hora de trocar por um modelo mais avançado. Já se a demora fica insuportável apenas depois de um determinado número de fotos, o culpado pode ser o cartão de memória .

Muita gente nunca se dá conta, mas cartões de memória de um mesmo padrão e capacidade podem ser muito diferentes entre si. Claro, existem as marcas mais baratas e as que cobram mais caro por uma suposta qualidade superior. Só que, mesmo no catálogo de um único fabricante, é possível encontrar duas, às vezes três versões diferentes de uma mesma capacidade de cartão. O que muda? A velocidade!

Quanto vale um X

O conceito é mais comum nos drives de CD-ROM e DVD, que freqüentemente trazem a velocidade estampada no painel frontal. Nos gravadores, ela é especificada em três valores diferentes, para leitura, gravação e regravação. Sim, estamos falando daqueles números seguidos pela letra “X”. Hoje em dia, unidades 40X e superiores são tão comuns que isso deixou de ser um fator determinante na hora da compra. Mas, no passado, um CD-ROM 12X dava um banho nos simplórios 4X.

A esta altura, já deve ter gente se perguntando o que isso tem a ver com os cartões de memória. Simples: o “X” usado em ambos os produtos representa a mesma coisa: a taxa de transferência de dados de um CD de áudio , igual a 150 kbps (kilobits por segundo). Um drive 40X, portanto, lê CD-ROMs a 6.000 kbps, ou aproximadamente 6 Mbps (megabits por segundo).

No mundo dos cartões de memória, a corrida começou na casa dos 4X, primeira velocidade a ser especificada em modelos supostamente mais rápidos que os demais, mas foram os 8X que se consagraram entre os fotógrafos exigentes daquele tempo, quando muitos fabricantes ainda nem divulgavam a velocidade dos cartões. Modelos 12X não tardaram a aparecer, mas eram caríssimos, coisa de profissional mesmo.

Hoje, este posto foi ocupado pelos 133X e 150X, com modelos de 40X e 80X preenchendo os patamares intermediários. Como a diferença de preço entre a versão mais rápida e a comum pode chegar a 100%, entender os benefícios de tantos “X” a mais passa a ser especialmente importante na hora de comprar “filme digital” para a sua câmera. Vale a pena pagar mais pela velocidade?

Quando faz diferença

Existem três momentos em que a velocidade do cartão pode fazer diferença. Nas câmeras mais simples, a demora entre uma foto e outra pode ser atribuída a um cartão lento, embora isto seja cada vez menos comum. Tudo porque os modelos mais avançados de anos atrás e até os populares de hoje em dia contam com o chamado “buffer”, uma memória interna, de alta velocidade, que guarda as fotos enquanto não são transferidas para o cartão. Se a câmera não tem buffer, o tempo entre uma foto e outra pode ser reduzido por um cartão mais rápido.

Já nos modelos com buffer – a maioria, atualmente – a velocidade do cartão é sentida na hora em que a câmera precisa transferir os dados da memória intermediária para ele. Em outras palavras: se você consegue tirar várias fotos em uma seqüência rápida, mas depois a câmera “engasga” por um longo tempo, um cartão mais rápido poderia ajudar. Algumas câmera continuam tirando fotos, em ritmo mais lento, enquanto transfere, os dados para o cartão. Outras, congelam totalmente até o buffer estar vazio.

O terceiro momento, geralmente desprezado por quem não fotografa muito, é a transferência das fotos para o computador. Se você dá conta deste processo conectando a própria máquina ao micro, já começou mal. Muito mais eficiente é sacar o cartão e espetá-lo num leitor dedicado, que hoje pode ser comprado em qualquer lojinha por menos de R$ 100. Bem mais rápidos que as câmeras, em especial as que ainda se limitam à conexão USB 1.1 (muuuuito mais lenta que a USB 2.0), os leitores externos quase sempre têm a velocidade limitada apenas pela do cartão de memória.

O que isso representa em termos práticos? Tratemos de fazer algumas contas para descobrir. Se você encher um cartão de 1 GB (um milhão de kilobytes, ou oito milhões de kilobits) e copiar seu conteúdo para o computador a 40 x 150 kbps (considerando um cartão de 40X, lento para os padrões atuais), levará, em tese, 8 milhões dividido por 6 mil segundos. Pouco mais de 20 minutos. Já com um cartão “topo de linha”, de 150X (22.500 kbps), a espera cairia para menos de 6 minutos!

Memorystick e xD são casos à parte

Toda esta história de X para cá e X para lá se aplica tanto aos grandalhões Compact Flash (CF) quanto aos atuais líderes de mercado, os cartões Secure Digital (SD). Já se a sua câmera é uma Sony, Olympus ou Fuji, que usam cartões Memorystick (a primeira) e xD Picture Card (as duas últimas), o panorama é um tanto diferente. Não que estes cartões não tenham opções de velocidade, mas por se tratarem de formatos total ou praticamente proprietários, a questão é abordada de modo diferente.

Nos MemoryStick, por exemplo, o grande salto de velocidade veio na mudança do padrão tradicional para o “Pro”, que elevou as taxas de transferência máximas de 14.400 kbps (96X) na leitura e 19.600 kbps (130X), na escrita, para até 160.000 kbps (mais de mil “X”), com um mínimo de 15.000 kbps de escrita. Há também as versões “high speed”, com requisitos mínimos ainda mais altos.

Quando o assunto é xD, os modelos de maior velocidade são identificados pela letra H junto à especificação da capacidade. Neles, as taxas de transferência devem ser de, no mínimo, 72.000 kbps (480X) na escrita e 120.000 kbps (800X), na leitura, contra 24.000 (160X) e 40.000 kbps (266X), respectivamente, nos cartões “comuns” com capacidade a partir de 64 MB (os menores podiam ser ainda mais lentos).

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Publicado em Atualidades. 2 Comments »

2 Respostas to “Fotografia digital: Velocidade de car…”

  1. Fausto Odilon Says:

    Ótima dica! Eu tenho uma Cybershot DSC S60, mas ela tem uma opção para tirar fotos em sequência bem limitada. Na verdade eu não recomendo para tirar fotos de momentos rápidos como um gol.

    Mas por outro lado, descobri uma utilidade bem interessante: Fotografar animais ou plantas que não param de se mexer. Assim é possível escolher qual das fotos pegou o melhor ângulo, descartando-se as demais.

    O problema da minha máquina é que ela grava essas multifotos como um arquivo único de várias fotos coladas. Neste caso, só é possível extrair uma photo via “forceps”, ou seja, com um Photoshop. Além, é claro, de ser em uma resolução mais limitada.

    É, dentre tantas qualidades, acho que toda máquina tem as suas “furadas”! Mas como não sou nenhum profissional, pra mim já tá legal.

  2. Damon Abdiel Says:

    Olá Fausto primeiramente agradeço a participação no blog, e valew pela dica na hora de tirar as fotos em seqüencias…


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