Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Primórdios do cristianismo uma religião mundial

À medida que a confiança na razão humana e a esperança de conseguir a felicidade neste mundo diminuíam nos últimos séculos do Império Romano, uma nova perspectiva começava a surgir. Evidente na filosofia e na popularidade das religiões orientais, esse ponto de vista ressaltava a fuga de um mundo opressivo e a comunhão com uma realidade superior. O cristianismo evoluiu e expandiu-se dentro do cenário de declínio do classicismo e de intensificação do sentimento de transcendentalidade. Como resposta ao helenismo decadente, o cristianismo oferecia ao mundo greco-romano, espiritualmente desiludido, uma razão de viver – a esperança da imortalidade pessoal. O triunfo do cristianismo marcou um rompimento com a antiguidade clássica e uma nova fase na evolução do Ocidente, pois havia uma diferença fundamental entre os conceitos helênico e cristão de Deus, do individuo e da finalidade da vida.

Origens do Cristianismo

No reinado de Tibério (14-37), sucessor de Augusto, um judeu palestino chamado Jesus foi executado pelas autoridades romanas. Poucas pessoas da época voltaram sua atenção para o que seria um dos acontecimentos mais importantes da historia do mundo. Na busca de Jesus histórico, os estudiosos ressaltaram a importância de sua condição de judeu e a fermentação religiosa predominante na Palestina, no século I a.C. Os ensinamentos éticos de Jesus, diz Andrew M. Greelet, sacerdote e estudioso da religião, devem ser vistos como:

Um prolongamento lógico das Escrituras hebraicas (…) produto de todo o ambiente religioso de que Jesus era parte. Jesus definiu-se como judeu, tinha plena consciência do caráter judaico de sua mensagem e teria considerado impossível conceber-se de outro modo que não fosse judeu (…) Os ensinamentos de Jesus devem, portanto, ser bem situados nos contexto religioso da época.

O judaísmo no século I a.C.

No século I a.C havia entre os hebreus palestinos quatro partidos sociorreligiosos, ou seitas, principais: saduceus, fariseus, essênios e zelotes. Formados pela pequena nobreza agrária e pelos sacerdotes hereditários que controlavam o tempo de Jerusalém, os conservadores saduceus insistiam na interpretação rigorosa da Lei de Moises e na perpetuação das cerimônias do templo. Desafiando os saduceus, os fariseus – que tinham o apoio da maior parte da nação judaica – adotavam uma atitude mais liberal para com a Lei de Moises: permitiam a discussão e as varias interpretações dos mandamentos e atribuíam autoridade tanto à tradição oral quanto às Escrituras. O terceiro grupo religioso, os essênios, estabeleceu uma comunidade semimonástica perto do Mar Morto. Os zelotes, por sua vez, sustentavam que os judeus não deveriam pagar tributos a Roma, nem reconhecer a autoridade do Império. Patriotas devotados, os zelotes envolveram-se em movimentos de resistência à dominação romana, que culminaram na grande revolta de 66-70 d.C.

O conceito de imortalidade pessoal é muito pouco mencionado nas Escrituras hebraicas. Diferente dos saduceus, os fariseus acreditavam na vida depois da morte. Um acréscimo tardio ao pensamento religioso hebraico, provavelmente adquirido da Pérsia, a idéia conquistara ampla aceitação no tempo de Jesus. Também os essênios acreditavam na ressurreição física do corpo, mas davam a essa doutrina um significado mais compulsivo, vinculado-a à chegada imediata do reino de Deus.

Além da vida depois da morte, outra idéia que encontrou ampla repercussão no século I a.C foi a crença no messias, um redentor escolhido por Deus para libertar Israel do domínio estrangeiro. Profetizava-se que na época do messias Israel seria livre, os exilados voltariam e os judeus seriam abençoados com a paz, unidade e prosperidade. Jesus (c. 4 a.C – c 29d.C) exerceu seu ministério dentro desse contexto de expectativas e anseios nacionais e religiosos dos hebreus. As esperanças de seus primeiros seguidores eram um amalgama do descontentamento da classe inferior com os saduceus aristocráticos; da ênfase farisaica no ideais proféticos e na vida além-túmulo; da preocupação esseniana com o fim do mundo e da crença na proximidade de Deus e na necessidade de arrependimento; e do anseio que o povo dominado tinha de um messias que libertasse sua terra da opressão romana e estabelecesse o reinado de Deus.

ico_tatianeby Tatiane Costa

Veja também:

Introdução – “Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Parte 1: “Jesus a transformação moral do individuo”

Parte 2: “São Paulo: de seita judaica a religião mundial

Parte 3: “Difusão e triunfo do cristianismo”

 

parte 4: “O cristianismo e Roma”

 

parte 5: “Cristianismo e a filosofia grega”

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6 Respostas to “Primórdios do cristianismo uma religião mundial”

  1. Damon Abdiel Says:

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  4. FERNANDO Says:

    poderia fazer um resumo deste capito inteiro das 5 partes e me mandar?

  5. Ataualpa Magno Ferraz de Novaes Says:

    Prezada Tatiane, você aparenta ser tão jovem fisicamente ( pela foto! ), mas tem uma profundidade de pesquisadora, quando se trata do estudo feito nos arquivos acima…
    Parabéns!
    Ataualpa Magno

  6. Historiador Says:

    Poderia, ou melhor, deveria colocar a referência dos textos citados…
    PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: uma história concisa. Ed.Martins Fontes: São Paulo, 2002.
    Assim, o pessoal acaba achando que é a tal Tatiana que escreve…


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