São Paulo: de seita judaica a religião mundial

São Paulo: de seita judaica a religião mundial São Paulo veio da cidade grega de Tarso, no sudeste da Ásia Menor. Pertencia à Diáspora, ou Dispersão – aos milhões de judeus que viviam fora da Palestina. Os não-judeus, ou gentios, ao entrar em contato com os judeus da Diáspora impressionavam-se, com freqüência, com o monoteísmo, a ética e a vida familiar dos hebreus. Alguns gentios abraçavam o monoteísmo hebraico, mas se recusavam a aceitar as determinações da Lei sobre a circuncisão e as restrições alimentares. Entre esses gentios e judeus não palestinos, muito influenciados pelo meio greco-romano, os apóstolos de Jesus encontrariam ouvintes receptivos.

Depois de ter, a principio, perseguido os adeptos de Jesus, Saulo passou por uma transformação espiritual e converteu-se ao cristianismo. Servindo como zeloso missionário do cristianismo judaico na diáspora, São Paulo pregava a seus companheiros judeus nas sinagogas. Reconhecendo que a mensagem cristã dirigia-se também aos não judeus, Paulo insistiu na necessidade de difundi-la entre os gentios. No processo de sua atividade missionária – ele viajou exaustivamente por todo o Império Romano – formulou doutrinas que representaram um complemento fundamental com o judaísmo e se tornaram a essência de nova religião que através de Jesus, Deus se revelara a todas as pessoas, judeus e gentios; e que essa revolução suplantara a primeira revelação de deus ao povo judeu. Sozinho, o individuo era impotente, possuído pelo pecado, incapaz de superar sua natureza má. Jesus era a única esperança, dizia Paulo.

Para chegar aos gentios, São Paulo teve de separa o cristianismo do contexto socio-cultural judaico. Assim, sustentava que os seguidores de Jesus fossem eles gentios ou judeus, já não estavam sujeitos às centenas de rituais e regras que constituem a Lei mosaica. Com a vinda de Jesus, insistia Paulo, as regras mosaicas tornaram-se obsoletas e passaram a construir um obstáculo à atividade missionária entre os gentios. Para Paulo, a nova comunidade cristã era a verdadeira realização do judaísmo. Os hebreus consideravam sua fé como uma religião nacional, organicamente ligada à historia de seu povo. Paulo dizia que Jesus preenchia não apenas as aspirações messiânicas dos judeus, mas também as necessidades e expectativa espirituais de todos os povos. Para ele, a nova comunidade cristã não era uma nação, mas uma oikoumene, uma comunidade mundial. Nesse sentido, o cristianismo partilhava do universalismo da idade helenística. Ao pregar a doutrina de um salvador ressuscitado e insistir em que a legislação de Moises havia sido superada, Paulo, quaisquer que fossem suas intenções, estava rompendo com suas raízes de judeu e transformando uma seita judaica numa nova religião. Ao emancipar o cristianismo do judaísmo, tornou-o atraente aos não judeus, que se interessavam pelo monoteísmo ético dos hebreus, mas rejeitavam as rigorosas exigências da Lei de Moises. Paulo utilizou o personalismo e o universalismo implícitos nos ensinamentos de Jesus (e dos profetas hebraicos) para criar uma religião destinada não a um povo, com cultura, historia e terras próprias, mas a toda humanidade.

ico_tatianeby Tatiane

Veja também:
Introdução – “Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Parte 1: “Jesus a transformação moral do individuo”

Parte 2: “São Paulo: de seita judaica a religião mundial

Parte 3: “Difusão e triunfo do cristianismo”

 

parte 4: “O cristianismo e Roma”

 

parte 5: “Cristianismo e a filosofia grega”

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2 Respostas to “São Paulo: de seita judaica a religião mundial”

  1. Júlia Says:

    blog horrivel

  2. Oraculum Blog Says:

    Júlia porque o Blog Oraculum é horrível ?


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