Lula é a cara do Brasil que o escolheu!

Ainda inconformado com a abstinência imposta pela reportagem do jornalista americano Larry Rother, o presidente Lula fica muito mais interessante quando desanda a falar depois de almoços em homenagem a forasteiros ilustres, sempre regados a vinho. Autorizado pelo cerimonial, o anfitrião ergue um brinde ao visitante e, até a hora da sobremesa, molha a garganta com três ou quatro taças. É a dose certa para lubrificar a garganta e destravar a língua de Lula. Foi assim na quarta-feira passada, ao fim do almoço no Itamaraty em louvor do presidente da Guiné-Bissau.

        Alguns jornalistas estavam lá para saber o que Lula achara do incidente entre o rei Juan Carlos e o presidente Hugo Chávez. Como já deixara Santiago, o comandante do Aerolula não testemunhara o cala-boca. Mas um falante compulsivo não nega fogo. Agarrado a generalizações e irrelevâncias, caminhou por alguns metros sobre o muro da neutralidade.

       De repente, sem que alguma pergunta inconveniente tivesse atrapalhado a travessia, o malabarista resolveu alterar a rota. Perdeu o equilíbrio e perdeu o rumo. “Podem criticar o Chávez por qualquer coisa, mas não por falta de democracia na Venezuela”, esbravejou Lula, pronto para brigar com repórteres que, até então, não haviam criticado nem ligeiramente a reencarnação enlouquecida de Simón Bolívar. Enquanto os ouvintes convalesciam do espanto, a ofensiva concentrou-se nos que resistem a chicanas constitucionais forjadas para perpetuar o inquilinato de Chávez no Palácio Miraflores.

       “Por que ninguém se queixa quando a Margareth Thatcher fica tanto tempo no poder?”, quis saber. “E o Felipe González, o François Mitterrand, o Helmuth Kohl?”.

       Um repórter ponderou que “são situações distintas”: como se aprende no colégio, há diferenças consideráveis entre monarquias parlamentaristas, repúblicas que adotam o parlamentarismo puro e outras que confiam a chefia do governo ao primeiro-ministro sem reduzir o presidente a figura decorativa. “Não tem nada de distinto”, irritou-se o homem que, por ter driblado os estudos, não conhece esses assuntos nem de vista. “O que importa não é o regime, é o exercício do poder”.

       Reduzido à sua essência, o falatório delirante era um recado ao Brasil: o presidente está louco por um terceiro mandato. E topa ­ se assim Deus mandar e se essa for a vontade do povo ­ passar a vida inteira no poder.

 

       Faltou um Juan Carlos para recomendar-lhe que parasse de dizer bobagens. Faltou um José Luis Zapatero para ensinar ao onisciente de araque que existem diferenças abissais entre genuínas democracias e falsificações cucarachas. Faltou, sobretudo, uma voz que gritasse a verdade perturbadora: há quase cinco anos, o Brasil é governado por um homem que seria reprovado no mais singelo concurso público que incluísse uma prova de conhecimentos gerais.

       Essa verdade se desdobra em outras duas. Primeira: nunca houve um presidente tão visceralmente ignorante. Segunda: ele é a cara do Brasil que o escolheu.

       Milhões de eleitores hoje se sentem dispensados de ler, estudar, pensar.

       O pastor não precisou de nada disso para chegar lá. Bastaram a intuição e a esperteza. Cumpre ao rebanho segui-lo. O país está submerso na Era da Mediocridade.

       Enquanto não voltar à tona, Lula será o homem certo no lugar certo.

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2 Respostas to “Lula é a cara do Brasil que o escolheu!”

  1. Rogerio Says:

    O bom e que, quando aparece os “inteligentes”(FC, FHC) fazem as mesmas bobagens que ele, ai o brasil fica sem saida. A questão é caráter que não tem nada a ver com inteligência!

  2. Renato Costa Says:

    Engraçado. Depois dos 56 milhões de votos, o líder da “quadrilha”, segundo palavras do relator do processo do “Mensalão” no STF Ministro Joaquim Barbosa, criou o Bolsa Família. Domingo p.p., 09/11 paguei R$ 4,55 no Kg do feijão carioca, preço este permitido pelo atual Governo Federal e um dos felizardos portadores do “cartão assistencialista para compra de votos” estava a reclamar do preço, afinal seu saldo era de apenas R$ 87,00. Como resposta disse que deveria manter o “Barbudinho” e o seu bando em Brasília e o coitado, que concedeu o voto ao Lulla, ainda ficou bravinho com meu sarcasmo. Ora bando de cretinos, querem se perpertuar no poder através de esmolas e de golpes financeiros como a CPMF ou do imposto mundial contra a pobreza. Tomem vergonha na cara e trabalhem para terem descontados por ano 4 meses do suor dos seus rostos. Aí venham falar em justiça social ou qualquer outro assunto para o bem do Brasil.


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