Desarmamento – Why don´t you shut up, Mr Alston?

“Só há direitos humanos para aqueles que não os respeitam”

Del. Gilberto Ribeiro – Chefe da Polícia Civil RJ

Eu não sou de elogiar políticos em geral e governantes em particular, mas neste caso sou obrigado a abrir uma exceção. Eu me refiro à atitude do governador do estado do Rio de Janeiro, recusando-se a receber o senhor Philip Alston, funcionário da ONU, que veio especialmente ao Brasil para investigar arbitrariedades e violências cometidas por policiais brasileiros contra infelizes excluídos das benesses de uma sociedade egoísta e hipócrita (para quem não entendeu a ironia: traficantes de drogas, assassinos, assaltantes etc., etc.).

A razão alegada pelo governador foi a de que o senhor Alston não fez o que mandam as regras da etiqueta e das boas relações entre pessoas educadas: pedir uma audiência. Possivelmente o comissário da ONU imaginou que poderia fazer com o governador o que o presidente da Venezuela faz com o Grande Apedeuta: avisa que está chegando minutos antes do seu avião aterrissar em Brasília ou aparece em reuniões para as quais não foi convidado, como a reunião entre os presidentes do Brasil, Argentina e Bolívia quando o Loco Chávez, para surpresa de Lula, adentrou a sala de reuniões.

Em defesa do representante da ONU é preciso que se diga que a falta de educação e desrespeito pelas autoridades brasileiras é prática comum entre os membros daquele organismo e afiliados. Basta lembrar o que fez o ex-representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, com Severino Cavalcanti, então presidente da Câmara dos Deputados. Com o pretexto de apresentar um relatório sobre a violência, Werthein pediu a ele que acelerasse a votação do projeto que estabelecia o referendo sobre a comercialização de armas de fogo, em outubro, numa clara ingerência de um organismo internacional nos assuntos internos de um país. Na ocasião disse Wethein a Severino: “Os altos índices de morte no Brasil, acima da maioria de seus vizinhos latino-americanos, são conseqüência direta da facilidade de acesso a armas de fogo. Somente uma medida como a proibição da venda fará os índices caírem substancialmente, disse. Para nossa sorte, mais de 60% da sociedade brasileira discordou da opinião do representante da Unesco. Mais detalhes sobre essa grosseira interferência estrangeira em um dos poderes da República o leitor encontrará em meu artigo publicado neste site, intitulado: Desarmamento: UNESCO, uma intromissão indevida.

“Relator da ONU demonstra espanto com relatos sobre a violência policial” – esta é a chamada da matéria do Globo, de 8/11/2007, página 17. O relator da ONU, o australiano Philip Alston (que Ancelmo Góes, do Globo, em mais uma ancelmada, disse ser inglês) mostrou-se espantado com os relatos de parentes de vítimas mortas pela polícia no Rio de Janeiro. Aí já começa a ser exposta a parcialidade do senhor Alston: por que ouvir apenas os parentes de vítimas mortas pela polícia do Rio de Janeiro e não os parentes de pessoas mortas pela bandidagem? Será que foi ouvida a família do dublê de ação e ator Cláudio Luciano da Silva, 33 anos, assassinado por criminosos em 4/10/2007? A razão para o assassinato? Cláudio desobedeceu às ordens do tráfico andando pela calçada em vez de fazê-lo pelo meio da rua conforme determinou o chefe local do tráfico. Ou quem sabe o nobre representante da ONU tenha se interessado em ouvir as centenas de parentes de policiais, militares das três Forças, ou mesmo bombeiros que, quando vítimas de um assalto e descoberta sua profissão são sumariamente executados? Eu duvido.

O senhor Alston também se encontrou com a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de janeiro, com o Secretário de Segurança Pública e iria no dia 10/11 visitar a Morro do Alemão, no Rio, um dos lugares mais violentos do Brasil. Além disso, reuniu-se com as indefectíveis ONGs. Não me consta que entre as ONGs ouvidas esteja Viva Polícia, um organização não governamental que defende os policiais e suas famílias. Se de fato ele não recebeu os dirigentes da Viva Polícia, está dada à inequívoca demonstração de sua parcialidade.

Dia seguinte (9/11) o mesmo o Globo publicou na página 16 que dois policiais foram fuzilados em uma cabine da PM, no morro do Andaraí. Eles são apenas mais dois nomes de uma infindável lista. Talvez nenhuma polícia no mundo morra tanto quanto a polícia do Rio de Janeiro. Milhares de pais, mães, esposas, filhos e filhas de policiais curtem em silêncio a dor da perda de seus entes queridos, heróis sem nome de uma guerra sem fim. Essas famílias destroçadas, obrigadas muitas vezes a mudar de residência para fugir da sanha dos traficantes, sobrevivem da magra pensão que o governo lhes paga e não têm suporte nem assistência da mídia, do Governo, da maioria esmagadora das ONGs ou da ONU. E, por favor, senhor Alston, não venha com a explicação idiota de que uma coisa é uma coisa e outra coisa…

 

Como é de praxe, o senhor Alston não poderia deixar de dar sua contribuição ao bestialógico que assola a turma dos antiarmas. Vejam o que ele declarou ao Globo de 11/11/07 (pág. 19): “Se uma pessoa trafica, o procedimento é prendê-la. Se há risco de vida para a polícia, ou alguém por perto, isso justifica usar a força, mas não matar”. Escuta aqui, mister, por que você não se cala? (copyright by Dom Juan Carlos, rei da Espanha). O que o senhor quer dizer com usar a força? Que a polícia jogue pedras nos traficantes que estão atirando no policial com um AR-15 ou um AK-47? Ou talvez que ele vá até o bandido, jogue spray de pimenta na cara dele e o imobilize com uma chave de braço? Spray de pimenta? Chave de braço? Daqui a pouco uma ONG qualquer da vida vai me acusar de estar pregando violência contra essas pobres vítimas de nossa empedernida sociedade!

Eu tenho uma sugestão para dar a mister Alston: quando a polícia estiver se preparando para subir o morro para prender um traficante, que vá à frente o senhor ou integrantes do Viva Rio, Tortura Nunca Mais, OAB e negocie com o marginal e seu bando a entrega das armas e das drogas. Aí sim, se um marginal for morto, poder-se-á culpar os agentes da lei.

Não é preciso ter bola de cristal nem ser adivinho para antecipar o relatório de Mr. Alston. Como costuma acontecer nesses casos, será uma longa e lacrimosa arenga sobre as atrocidades policiais, contadas por mães ou esposas de traficantes que naturalmente jurarão de pés juntos que seu filho ou marido era um infeliz trabalhador que foi vítima da truculência policial. E para dar maior credibilidade a isso irão adicionar algumas das habituais distorções de números cometidas pelos especialistas da ONU.

Sobre o outro lado, silêncio.

 

Fonte: Mídia Sem Máscara

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