HAAT – A unidade das altas culturas Pré-Colombianas

O texto a seguir fala sobre os grandes imperios da America-Latina antes colonização e mostrar o porque esses imperios e posteriormente as nações onde esses imperios se situaam não se desenvolverão como a América do Norte e a Europa. Na segunda parte ele mostra um novo metodo de Produção desenvolvidos pelos pré-colombianos que contrasta contra o capitalismo atual.

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A difusão e triunfo do cristianismo

Ao desligar o cristianismo do judaísmo, São Paulo tornou a nova religião exportável para o mundo greco-romano. Mas seu crescimento foi vagaroso. Desde sua origem no século I, o cristianismo deitou raízes firmes no século II, cresceu bastante no século III e tornou-se a religião oficial do Império Romano no final do século IV.

 

A atração do cristianismo

 

O triunfo do cristianismo relacionou-se com o declínio correspondente na vitalidade do helenismo e com a mudança da ênfase cultural: o movimento da razão para emoção e a revelação. Oferecendo soluções confortadoras para os problemas existenciais da vida e da morte, a religião demonstrou uma capacidade maior que a da razão de comover os corações humanos. O helenismo inventara os instrumentos do pensamento racional, mas o poder do pensamento mítico jamais desapareceu totalmente. Ao final do Império Romano, a ciência e a filosofia foram incapacidade de competir com o misticismo e o mito. Os cultos de mistérios, que prometiam a salvação pessoal, difundiram-se e ganharam seguidores. Os neo-platônicos ansiavam pela união mística com o Uno. A astrologia e a magia, que ofereciam explicações sobrenaturais par aos fenômenos da natureza, também eram populares. Esse abandono dos valores racionais e terrenos contribuiu para preparar o caminho para o cristianismo. Num mundo greco-romano culturalmente estagnado e espiritualmente perturbado, o cristianismo deu à vida um significado novo e ofereceu uma nova esperança a homens e mulheres desiludidos.

 

A mensagem cristã de um salvador divino e um Pai interessado, bem como do amor fraternal, inspirou homens e mulheres desocntentes com o mundo em que viviam, que não se sentiam ligados à cidade ou ao império, que não tinham inspiração na filosofia e que sofriam de um profundo sentimento de solidão. O cristianismo oferecia ao homem aquilo que a acidade e o Estado mundial romano não lhe podiam dar: uma relação profundamente pessoal com Deus, uma ligação íntima com um mundo superior e a participação numa comunidade de fiéis que se preocupavam uns com os outros.

 

Ressaltando o intelecto e a autonomia, o pensamento greco-romano não satisfazia as necessidades emocionais do homem comum. O cristianismo procurou preencher essa lacuna da perspectiva greco-romana. Os pobres, os oprimidos e os escravos foram atraídos pela personalidade, vida, morte e ressurreição de Jesus, pelo seu amor a todos e sua preocupação com a humanidade sofredora. Encontraram apoio espiritual numa religião que estendia a mão do amor e ensinava que o valor da pessoa não dependia de seu nascimento, riqueza, educação ou talento. aos que se curvaram sob o peso das infelicidades e o terror da morte, o cristianismo oferecia a promessa da vida eterna, de um reino dos céus onde seriam reconfortados pelo Deus Pai. Assim deu ao homem e comum aquilo que os valores aristocráticos da civilização graco-romano não podiam dar – esperança, senso de dignidade e força interior.

 

 

O êxito do cristianismo deveu-se não apenas ao apelo de suas mensagens, mas também ao vigor de sua instituição, a Igreja, que cresceu e se transformou numa organização poderosa, unindo todos os fiéis. Aos moradores das cidades, solitários, alienados, desiludidos com os negócios públicos – mortais desamparados em busca de um sentido de comunidade –, a Igreja, que chamava seus membros de irmãos e irmãs, satisfazia à necessidade elementar dos seres humanos de pertencer a algo. Recebia bem as mulheres que se convertiam, e muitas vezes elas ingressavam primeiro que os maridos, trazendo-os depois. Entre outras razões, a Igreja atraía as mulheres porque mandava que os maridos tratassem as esposas com bondade, fossem fiéis e sustentassem os filhos. A Igreja conquistou novos e conservou a fidelidade dos antigos proporcionando assistência social aos pobres e enfermos, recebendo escravos, criminosos, pecadores e outros párias, e estendendo a mão da fraternidade e do conforto em momentos de dificuldade.

 

A capacidade que teve o cristianismo de assimilar elementos da filosofia grega, e mesmo das religiões de mistérios, também contribuiu em grande parte para seu crescimento. Recorrendo à filosofia grega, o cristianismo pôde apresentar-se em termos compreensíveis aos versados na língua grega e, dessa forma, atrair pessoas cultas. Os conversos instruídos em filosofia mostravam-se hábeis defensores de sua fé recém-adotada. Como algumas das doutrinas cristãs(o Deus – Salvador renascido, a virgem e seu filho, a vida após a morte, a comunhão com o divino) e de suas práticas (purificação pelo batismo), bem como os dias santos (25 de dezembro era a data de nascimento do deus Mitra), encontravam paralelo ou vinham das religiões de mistérios, foi relativamente fácil conquistar conversos entre elas.

 

 

ico_tatianeby Tatiane

 

Veja também:

Introdução – “Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Parte 1: “Jesus a transformação moral do individuo”

Parte 2: “São Paulo: de seita judaica a religião mundial

Parte 3: “Difusão e triunfo do cristianismo”

 

parte 4: “O cristianismo e Roma”

 

em breve – Cristianismo e a filosofia grega

 

 

 

Sargão e as mulheres de Atenas

Olá pessoal, estava neste fim de semana brincando um pouco com os meus livros e sem querer peguei um livro muito interessante, ela fala de textos históricos verídicos e devidamente comprovados ao longo da historia, pensei comigo: por que não levar esses textos para o pessoal do blog? bom aqui estou, espero que gostem.

Para iniciar vou trazer dois texto um contando sobre a historia de Sargão, ele nasceu na sumeria posteriormente conhecida como Babilónia, sua historia é idêntica a de outro personagem que viveu um pouco depois e que acredito que a maioria conheça: Moisés, pra quem ainda não leu, leia Bíblia – Êxodo Cap2.

O outro texto conta a historia de um grego que fugindo dos argianos foi morto pelas mulheres de Atenas, bom a historia é um pouco cómica mais o objetivo é mostrar a roupa das mulheres de Atenas.

 O nascimento de Sargão

Sargão, o poderoso rei de Agade, Eu sou.

Minha mãe foi uma substituída, meu pai eu não conheci.

O(s) irmão(s) de meu pai amavam as montanhas.

Minha cidade é Azupiranu, que está situada às margens do Eufrates.

Minha mãe substituída concebeu-me, secretamente ela me fez nascer.

Ela me colocou numa cesta de junco, com betume ela selou minha tampa.

Ela me jogou ao rio que não cobriu.

O rio me conduziu e me levou até Akki, o tirador de água.

Akki, o tirador de água, retirou-me como seu filho (e) criou-me.

Akki, o tirador de água, nomeou-me seu jardineiro.

Enquanto eu era jardineiro, Ishtar concedeu-me (seu) amor.

E por quatro e […] anos eu exerci a realeza.

o [povo] cabeça-negra eu comandei, eu gov[ernei];

Poderosas [mon]tanhas com enxós de bronze eu conquistei,

As cordilheiras mais altas eu escalei,

Os vales eu [atrav]essei,

As [terra]s do mar três vezes circundei.

Dilmun minha mão cap[turou]

[Ao] grande Der eu [subi], eu […]

[…] eu alterei e […].

Qualquer que seja o rei que possa vir depois de mim,

Deixe que ele comande , deixe que ele governe o povo cabeça-negra;

[Deixe que ele conquiste] poderosas [montanhas] com enxo[s de bronze],

[Deixe] que ele escale as cordilheiras mais altas

[Deixe que ele atravesse os vales mais profundos],

Deixe que ele circunde as [ter]ras do mar três vezes!

[Dilmun deixe que sua mão capture].

Deixe que ele suba [ao] grande Der e […]!

[…] da minha cidade, Aga[de…]

[…]…[…]

(Restante quebrado)

ANET, 119

 Nota: Sabemos historicamente que a bíblia foi reescrita na babilónia, na época em que Daniel estava cativo, todos os sábios hebreus estavam na Babilónia e os historiadores acreditam que muitas passagens que estão no Velho Testamento da bíblia foram pegas de tradições orais dos Babilónicos e que o restante das historias foram passadas e mantidas verbalmente de geração a geração. Fica aí uma duvida !!!

 A roupa das mulheres de Atenas.

Quando os Atenienses desembarcaram em Egina, os argianos vieream socorrer os eginetas; tendo permanecido na ilha, secretamente, desde Epidauro, atacaram subitamente os atenienses e cortaram-lhes sua retirada para os navios. Houve ao mesmo tempo trovões e um tremor de terra.

Argianos e eginetas concordam em dizer – e os próprios atenienses o reconhecem – que houve apenas um homem entre estes que conseguiu escapar. A única diferença é que os argianos afirmam que tal homem sobreviveu à derrota infligida por eles. De qualquer forma, enquanto que os atenienses colocam a divindade em pauta, na realidade, ninguem escapou, pois o único sobrevivente pereceu da seguinte maneira: assim que voltou a Atenas, anunciou o malogro. Ante tal confissão, as mulheres, cujos maridos tinham partido para Egina, indignadas pelo fato de um só ter sobrevivido, cercaram por todos os lados o infeliz e o agrediram com as fivelas de seus vestidos, cada uma perguntando onde estava seu marido! Isto foi seu fim, e para os atenienses o crime de tais mulheres pareceu mais terrível ainda que sua derrota. Não sabendo com que castigo puni-las mudaram a roupa que vestiam pela da Jônia. Antigamente, as atenienses usavam uma roupa dórica, semelhante à de Corinto, está foi substituída por uma túnica de linha, para impedir o uso de fivelas!

HERÓDOTO, Histórias, V, 86-87

ico_tatianeBy Tatiane Costa

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São Paulo: de seita judaica a religião mundial

São Paulo: de seita judaica a religião mundial São Paulo veio da cidade grega de Tarso, no sudeste da Ásia Menor. Pertencia à Diáspora, ou Dispersão – aos milhões de judeus que viviam fora da Palestina. Os não-judeus, ou gentios, ao entrar em contato com os judeus da Diáspora impressionavam-se, com freqüência, com o monoteísmo, a ética e a vida familiar dos hebreus. Alguns gentios abraçavam o monoteísmo hebraico, mas se recusavam a aceitar as determinações da Lei sobre a circuncisão e as restrições alimentares. Entre esses gentios e judeus não palestinos, muito influenciados pelo meio greco-romano, os apóstolos de Jesus encontrariam ouvintes receptivos.

Depois de ter, a principio, perseguido os adeptos de Jesus, Saulo passou por uma transformação espiritual e converteu-se ao cristianismo. Servindo como zeloso missionário do cristianismo judaico na diáspora, São Paulo pregava a seus companheiros judeus nas sinagogas. Reconhecendo que a mensagem cristã dirigia-se também aos não judeus, Paulo insistiu na necessidade de difundi-la entre os gentios. No processo de sua atividade missionária – ele viajou exaustivamente por todo o Império Romano – formulou doutrinas que representaram um complemento fundamental com o judaísmo e se tornaram a essência de nova religião que através de Jesus, Deus se revelara a todas as pessoas, judeus e gentios; e que essa revolução suplantara a primeira revelação de deus ao povo judeu. Sozinho, o individuo era impotente, possuído pelo pecado, incapaz de superar sua natureza má. Jesus era a única esperança, dizia Paulo.

Para chegar aos gentios, São Paulo teve de separa o cristianismo do contexto socio-cultural judaico. Assim, sustentava que os seguidores de Jesus fossem eles gentios ou judeus, já não estavam sujeitos às centenas de rituais e regras que constituem a Lei mosaica. Com a vinda de Jesus, insistia Paulo, as regras mosaicas tornaram-se obsoletas e passaram a construir um obstáculo à atividade missionária entre os gentios. Para Paulo, a nova comunidade cristã era a verdadeira realização do judaísmo. Os hebreus consideravam sua fé como uma religião nacional, organicamente ligada à historia de seu povo. Paulo dizia que Jesus preenchia não apenas as aspirações messiânicas dos judeus, mas também as necessidades e expectativa espirituais de todos os povos. Para ele, a nova comunidade cristã não era uma nação, mas uma oikoumene, uma comunidade mundial. Nesse sentido, o cristianismo partilhava do universalismo da idade helenística. Ao pregar a doutrina de um salvador ressuscitado e insistir em que a legislação de Moises havia sido superada, Paulo, quaisquer que fossem suas intenções, estava rompendo com suas raízes de judeu e transformando uma seita judaica numa nova religião. Ao emancipar o cristianismo do judaísmo, tornou-o atraente aos não judeus, que se interessavam pelo monoteísmo ético dos hebreus, mas rejeitavam as rigorosas exigências da Lei de Moises. Paulo utilizou o personalismo e o universalismo implícitos nos ensinamentos de Jesus (e dos profetas hebraicos) para criar uma religião destinada não a um povo, com cultura, historia e terras próprias, mas a toda humanidade.

ico_tatianeby Tatiane

Veja também:
Introdução – “Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Parte 1: “Jesus a transformação moral do individuo”

Parte 2: “São Paulo: de seita judaica a religião mundial

Parte 3: “Difusão e triunfo do cristianismo”

 

parte 4: “O cristianismo e Roma”

 

parte 5: “Cristianismo e a filosofia grega”

Jesus: a transformação moral do individuo.

Jesus: a transformação moral do individuo.

Jesus não deixou nada escrito, e nada se escreveu sobre ele enquanto viveu. Nas gerações que se seguiram à sua morte, os historiadores romanos e judeus pouca atenção lhe dedicaram. Conseqüentemente, quase tudo que sabermos a respeito de Jesus vem do Novo Testamento, que foi escrito por seus discípulos, décadas depois de sua morte, com o objetivo de transmitir uma verdade religiosa e propagar uma fé. Os historiadores modernos submeteram o Novo Testamento a um exame critico e rigoroso, que possibilitou alguma compreensão sobre Jesus e suas crenças. A maior parte se refere a ele, no entanto, ainda permanece obscura.

Por volta dos 30 anos, influenciado sem duvida por João Batista, Jesus começou a pregar o advento do reino divino e a necessidade do arrependimento – de que as pessoas passassem por uma transformação moral para que pudessem entrar no reino dos céus. Para Jesus, o advento do reino era iminente; o processo que levaria a seu estabelecimento na terra já havia começado. Logo surgiria uma nova ordem, na qual Deus governaria seu povo com justiça e misericórdia. Por isso, o presente tinha para ele importância critica – era o momento do preparo e da penitencia espiritual -, pois os pensamentos, objetivos e atos do homem determinariam sua entrada ou não nesse reino. As pessoas deviam modificar radicalmente suas vidas, dizia ele, eliminando os sentimentos baixos, lúbricos, hostis e egoístas; deviam abandonar a busca de riqueza e de poder, purificar seus corações e mostrar seu amor por Deus e por seus semelhantes.

Embora não pretendesse afastar seus semelhantes da religião ancestral, Jesus preocupava-se com o judaísmo de sua época. Os rabinos ensinavam a regra de outro do Evangelho, bem como o amor e a misericórdia de Deus para seus filhos, mas parecia-lhe que essas considerações éticas estavam senso solapado por uma exagerada preocupação rabínica com o ritual, as restrições e as sutilezas da Lei. Jesus achava que o centro do judaísmo se transferira dos valores proféticos para a obediência às normas e proibições que controlavam os menores detalhes da vida cotidiana. Para os lideres judeus, naturalmente, as normas detalhadas que regulavam o comer, o lavar-se, a observância do sábado, as relações familiares, etc…, eram mandamento de Deus, destinados a santificar todas as atividades humanas. Na opinião de Jesus, essa visão rígida da lei deformava o significado dos ensinamentos proféticos. As regras visavam apenas ao comportamento aparente do homem sem penetrar em sua essência interior, nem provocar uma transformação moral. Era o intimo do homem que interessava a Jesus, que buscava provocar uma modificação interior. Com o fervor de um profeta, ele insistia na transformação moral do caráter humano pelo encontro direto do individuo com Deus.

Os escribas e sacerdotes judeus, guardiões da fé, consideravam Jesus como uma ameaça as tradições antigas; um agitador que questionava o respeito pelo Sabá. Em resumo, os lideres judeus achavam que Jesus colocava sua autoridade pessoal acima da Lei mosaica – o que, a seus olhos, era uma imperdoável blasfêmia. Para os romanos que governavam a Palestina, Jesus era um agitador político que poderia inflamar as expectativas messiânicas hebraicas, transformando-as numa revolta contra Roma. Quando os lideres judaicos o entregaram às autoridades romanas, o procurador romano, Pôncio Pilatos, condenou-o à morte na cruz – método comum de execução dos culpados por alta traição.

Alguns hebreus, acreditando que Jesus era um profeta inspirado ou mesmo o messias há muito esperado, tornaram-se seus seguidores. A época de sua morte, o cristianismo não era uma religião à parte, mas uma pequena seita hebraica com poucas perspectivas de sobrevivência. O que consolidou o movimento cristão e lhe deu forca foi à convicção dos seguidores de Jesus de que ele se levantara do tumulo no terceiro dia após seu enterro. A doutrina de ressurreição possibilitou a crença em Jesus como um deus-salvador, que viera a terra mostra o caminho dos céus.

Nos anos imediatamente seguintes à crucificação, a religião de Jesus limitou-se quase apenas aos judeus, que poderiam ser chamados, adequadamente, de judeus – cristãos. A palavra cristão vem do nome dado a Jesus: Cristo (o Ungido do Senhor, o Messias). Antes que o cristianismo pudesse compreender as implicações universais dos ensinamentos de Jesus e tornar-se uma religião mundial, tinha de libertar-se do ritual, da política e da cultura judaicas. Esse feito coube a um judeu helenizado, de nomes Saulo conhecido pelo mundo como São Paulo.

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Parte 1: “Jesus a transformação moral do individuo”

Parte 2: “São Paulo: de seita judaica a religião mundial

Parte 3: “Difusão e triunfo do cristianismo”

 

parte 4: “O cristianismo e Roma”

 

parte 5: “Cristianismo e a filosofia grega”

Primórdios do cristianismo uma religião mundial

Primórdios do cristianismo uma religião mundial

À medida que a confiança na razão humana e a esperança de conseguir a felicidade neste mundo diminuíam nos últimos séculos do Império Romano, uma nova perspectiva começava a surgir. Evidente na filosofia e na popularidade das religiões orientais, esse ponto de vista ressaltava a fuga de um mundo opressivo e a comunhão com uma realidade superior. O cristianismo evoluiu e expandiu-se dentro do cenário de declínio do classicismo e de intensificação do sentimento de transcendentalidade. Como resposta ao helenismo decadente, o cristianismo oferecia ao mundo greco-romano, espiritualmente desiludido, uma razão de viver – a esperança da imortalidade pessoal. O triunfo do cristianismo marcou um rompimento com a antiguidade clássica e uma nova fase na evolução do Ocidente, pois havia uma diferença fundamental entre os conceitos helênico e cristão de Deus, do individuo e da finalidade da vida.

Origens do Cristianismo

No reinado de Tibério (14-37), sucessor de Augusto, um judeu palestino chamado Jesus foi executado pelas autoridades romanas. Poucas pessoas da época voltaram sua atenção para o que seria um dos acontecimentos mais importantes da historia do mundo. Na busca de Jesus histórico, os estudiosos ressaltaram a importância de sua condição de judeu e a fermentação religiosa predominante na Palestina, no século I a.C. Os ensinamentos éticos de Jesus, diz Andrew M. Greelet, sacerdote e estudioso da religião, devem ser vistos como:

Um prolongamento lógico das Escrituras hebraicas (…) produto de todo o ambiente religioso de que Jesus era parte. Jesus definiu-se como judeu, tinha plena consciência do caráter judaico de sua mensagem e teria considerado impossível conceber-se de outro modo que não fosse judeu (…) Os ensinamentos de Jesus devem, portanto, ser bem situados nos contexto religioso da época.

O judaísmo no século I a.C.

No século I a.C havia entre os hebreus palestinos quatro partidos sociorreligiosos, ou seitas, principais: saduceus, fariseus, essênios e zelotes. Formados pela pequena nobreza agrária e pelos sacerdotes hereditários que controlavam o tempo de Jerusalém, os conservadores saduceus insistiam na interpretação rigorosa da Lei de Moises e na perpetuação das cerimônias do templo. Desafiando os saduceus, os fariseus – que tinham o apoio da maior parte da nação judaica – adotavam uma atitude mais liberal para com a Lei de Moises: permitiam a discussão e as varias interpretações dos mandamentos e atribuíam autoridade tanto à tradição oral quanto às Escrituras. O terceiro grupo religioso, os essênios, estabeleceu uma comunidade semimonástica perto do Mar Morto. Os zelotes, por sua vez, sustentavam que os judeus não deveriam pagar tributos a Roma, nem reconhecer a autoridade do Império. Patriotas devotados, os zelotes envolveram-se em movimentos de resistência à dominação romana, que culminaram na grande revolta de 66-70 d.C.

O conceito de imortalidade pessoal é muito pouco mencionado nas Escrituras hebraicas. Diferente dos saduceus, os fariseus acreditavam na vida depois da morte. Um acréscimo tardio ao pensamento religioso hebraico, provavelmente adquirido da Pérsia, a idéia conquistara ampla aceitação no tempo de Jesus. Também os essênios acreditavam na ressurreição física do corpo, mas davam a essa doutrina um significado mais compulsivo, vinculado-a à chegada imediata do reino de Deus.

Além da vida depois da morte, outra idéia que encontrou ampla repercussão no século I a.C foi a crença no messias, um redentor escolhido por Deus para libertar Israel do domínio estrangeiro. Profetizava-se que na época do messias Israel seria livre, os exilados voltariam e os judeus seriam abençoados com a paz, unidade e prosperidade. Jesus (c. 4 a.C – c 29d.C) exerceu seu ministério dentro desse contexto de expectativas e anseios nacionais e religiosos dos hebreus. As esperanças de seus primeiros seguidores eram um amalgama do descontentamento da classe inferior com os saduceus aristocráticos; da ênfase farisaica no ideais proféticos e na vida além-túmulo; da preocupação esseniana com o fim do mundo e da crença na proximidade de Deus e na necessidade de arrependimento; e do anseio que o povo dominado tinha de um messias que libertasse sua terra da opressão romana e estabelecesse o reinado de Deus.

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